Um Enigma Chamado Colombo – II – Colombo Tecelão X Colombo Mercador

A tese do Colombo Genovês, apesar de aceite pela maioria dos investigadores e historiadores, não está isenta de erros e divide-se (pelo menos) em duas.

 

O Colombo Tecelão e o Colombo Mercador, sendo que qualquer delas contem contradições quer em datas, quer em locais. Na sua maioria, os documentos que as apoiavam foram sendo desmontados e os dois principais pilares que as suportam, o documento Asseretto e o testamento, não se livram de suspeitas.

 

Segundo a tese Genovesa, Colombo terá nascido em Génova no ano de 1451. Era filho de Domenico Colombo e de Susana Fontanarubea, à época residentes na Republica de Génova.

Aqui a tese divide-se. Enquanto alguns apoiantes afirmam que o jovem Colombo terá seguido o ofício de tecelão, outros (apoiados no documento Asseretto) dizem que o mesmo se terá tornado Mercador.

 

O Colombo Tecelão terá chegado a Portugal em 1476, ou melhor terá naufragado ao largo da Costa e nadado até à mesma. Já o Colombo Mercador (segundo o documento Asseretto) iria apenas deslocar-se para Lisboa no ano de 1479.

 

Como atrás foi dito, as discordâncias dentro da própria tese do Colombo Genovês, têm levado a que muitos documentos fossem descartados.

 

Temos então um jovem Cristoforo Colombo em Portugal, mais propriamente em Lisboa, no ano de 1476 (com 25 anos de idade) segundo uns, no ano de 1479 (com 29 anos de idade) segundo outros.

 

O Colombo Tecelão, chegado à costa Portuguesa depois de um naufrágio, seria alguém de poucas posses, sem grandes estudos, afinal era filho de um tecelão. Não se compreende então muito bem o facto de tendo permanecido em Portugal apenas entre 1476 e 1484 (ano em que partiu para Espanha) o Jovem Colombo conseguiu aprender línguas, navegação, matemática, geografia, etc.

 

Já para não falar no facto de ter conseguido entrar no seio da nobreza Portuguesa a ponto de ter casado com uma nobre ( Filipa Moniz Perestrelo, Comendadeira da Ordem de Santiago) e ter sido admitido na corte por D. João II, que inclusive o tratava por «especial amigo».

 

De qualquer modo, tendo apresentado o seu projecto de navegação ao Monarca e o mesmo não o tendo aceitado, terá então partido para Espanha (em 1484) com o fim de apresentar o mesmo aos Reis Católicos.

 

A parte mais radical da tese do Colombo Genovês, admite que sim, que foi este o Colombo que em 1492 chegou à América.

 

A tese do Colombo Mercador, baseia-se essencialmente no documento Asseretto.

 

O documento Assereto, convém que se diga, foi um documento encontrado em 1904, por um Coronel de Infantaria, Hugo Asseretto, e composto de um rascunho de acta, sem as assinaturas dos declarantes e do tabelião, nem tão pouco o selo notarial. O documento apresenta-se em folhas soltas e com diferentes caligrafias indicando ter sido escriturado por mais que uma pessoa. De notar que este documento não merece hoje muita credibilidade.

 

No referido documento, Colombo é referido como civis janue, cidadão de Génova, num processo sobre uma quantia que supostamente não tinha recebido de Paolo di Negro, agente em Lisboa da casa comercial de Luigi Centurione e, nele se afirma que o mesmo se iria deslocar a Lisboa no ano de 1479. A mesma Lisboa, onde por acaso, o Colombo Tecelão já se encontrava desde 1476.

 

Esta é evidentemente, uma segunda via da tese Italiana que pretende apenas justificar os conhecimentos de Colombo à época, conhecimentos que o simples tecelão não poderia ter adquirido. Como Mercador, Colombo teria tido então oportunidade de alguns estudos, justificando assim os seus conhecimentos, quer linguísticos, quer náuticos, para além de que para um Mercador com algumas posses, seria bem mais fácil conseguir entrar na Corte Portuguesa e atá casar com uma Nobre.

 

O Colombo Mercador, será o mesmo Colombo Tecelão, nascido em Génova no ano de 1451, apenas a profissão e o ano de chegada a Portugal não coincidem.

 

Ler parte I            Continua

 

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3 thoughts on “Um Enigma Chamado Colombo – II – Colombo Tecelão X Colombo Mercador

  1. … nem uma nem outra versão estão correctas … Zarco era Lusitano, ou nunca poderia estar na Corte Lusa nem ser aceita na Corte de Castela, uma vez que Portugal e Espanha não existiam, e em terras da actual Itália reinavam Cidades Estado … ainda.

    1. O que nos remete para a terceira parte do artigo a publicar dentro de dias.
      Obrigado pelo comentário.
      Cumprimentos

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